- Um intervalo de confiança de 95 % significa que há 95 % de probabilidade de μ estar dentro do intervalo que acabei de calcular?
- Não. A média da população μ é um número fixo, e o intervalo específico na tela ou o contém ou não o contém; depois de extraída a amostra não resta nada de aleatório. Os 95 % descrevem o procedimento: se a amostragem se repete muitas vezes, cerca de 95 % dos intervalos produzidos contêm μ. O simulador mostra exatamente isso — cada barra é uma repetição, e o contador se aproxima de 95 % à medida que cresce o número de intervalos, ainda que o intervalo mais recente bem possa ser uma das falhas rosa.
- Por que os intervalos ficam mais estreitos quando n cresce, e em quanto?
- A meia-largura é c·σ/√n (ou c·s/√n), de modo que a largura encolhe com a raiz quadrada do tamanho da amostra, e não com o próprio n. Quadruplicar n de 20 para 80 reduz a largura à metade; passar de n = 20 a n = 200 a reduz por um fator de cerca de √10 ≈ 3,2. No método t um segundo efeito, menor, também ajuda: t* com ν = n − 1 diminui em direção a z* quando n cresce, de 2,776 em n = 5 a 2,093 em n = 20 e 1,972 em n = 200, no nível de 95 %. A cobertura, porém, não muda com n — um procedimento correto de 95 % captura μ cerca de 95 % das vezes, quer n seja 2, quer seja 200.
- Por que a cobertura cai abaixo de 95 % quando marco «Usar z* mesmo com σ desconhecido»?
- O intervalo x̄ ± 1,96·s/√n finge que s é o σ verdadeiro. Numa amostra pequena, s é ruidoso por si e, como a distribuição de s é assimétrica, fica abaixo de σ com mais frequência do que acima. Sempre que s é pequeno demais, o intervalo fica curto demais e tende a não conter μ; o valor z* não compensa isso. O valor crítico da t de Student compensa: ele é maior que z* exatamente o necessário para que P(|x̄ − μ| ≤ t*·s/√n) iguale o nível nominal. Em n = 5 a folga é grande (t* = 2,776 contra 1,960, e a cobertura do z com s fica em cerca de 88 %); em n = 30 ela é pequena (2,045 contra 1,960, cobertura cerca de 94 %), e é daí que vem a velha regra prática «usar z para n ≥ 30».
- Por que no método t o intervalo tem uma largura diferente a cada vez, enquanto no método z todas as barras têm o mesmo comprimento?
- No método z a meia-largura z*·σ/√n usa só constantes conhecidas, de modo que todo intervalo tem o mesmo comprimento e só o centro x̄ se desloca. No método t a meia-largura t*·s/√n usa o desvio padrão amostral s, recalculado em cada amostra nova; s oscila em torno de σ, forte para n pequeno e fraco para n grande, de modo que as barras têm comprimentos diferentes. A largura média mostrada no painel difere, portanto, um pouco de t*·σ/√n, porque a esperança de s é um pouco menor que σ (o fator c₄ vale 0,940 em n = 5 e 0,987 em n = 20).